sábado, 20 de fevereiro de 2010

Em cartaz no Teatro Jaragua .

Marisa Orth prova mais do que nunca que é uma otima atriz, vá prestigiar este belo trabalho.

O inferno sou eu

Teatro Jaraguá (271 lugares)
Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista.
Tel. 3255-4380

Aceita Visa e Mastercard, crédito e débito; Não aceita cheque.
Bilheteria: de terça à quinta, das 14h às 19h; de sexta a domingo, das 14h até início do espetáculo.
Estacionamento: R$ 12

Ingresso Rápido: 4003.1212

Sexta 21h30 e Sábado às 21h; Domingo às 19h.
Ingressos: Sexta e Domingo R$ 70 / Sábado R$ 80.

A PARTIR DE 05 DE MARÇO - NOVOS VALORES
SEXTAS E DOMINGOS R$ 50,00 E SÁBADOS R$ 60,00

Gênero: Drama
Duração: 70 minutos.
Classificação etária: 12 anos

Estreia 22 de janeiro de 2010.
Temporada: até 25 de abril.

Marisa Orth em o Inferno Sou eu.


O INFERNO SOU EU
De Juliana Rosenthal K.

Com Paula Weinfeld

Direção de José Rubens Siqueira

Estreia dia 22 de janeiro no Teatro Jaraguá

“Entre a fidelidade e a liberdade, haverá uma conciliação possível? A que preço? Essa celebre frase de Simone de Beauvoir (1908-1986) inspirou Juliana Rosenthal K. a escrever uma história sobre um suposto encontro em 1960 entre a já famosa filósofa e escritora francesa com Dorinha, uma jovem estudante de Letras do Recife, apaixonada pelos ideais libertários da época.

Marisa Orth volta aos palcos paulistanos interpretando uma personalidade. “Acompanhei o processo do texto e adorei o resultado alcançado pela Juliana. Interpretar Simone de Beauvoir nesse contexto está sendo um agradável desafio”, diz Marisa que chamou o diretor José Rubens Siqueira para conduzir essa delicada história. “O Zé Rubens é um diretor de ator, nos faz crescer em cena. Tinha que ser ele”, completa a atriz.
Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir ficaram três meses no Brasil em 1960, e seus últimos dias no País foram passados no Recife.

Na peça, Simone ainda não estava curada de tifo, que contraíra na Amazônia. Eles se hospedam na casa de Marta, por quem Sartre se apaixona. Marta, então, contrata Dorinha para cuidar de Simone. “O que mais me atraiu na peça foi a qualidade do texto, que permite ir além da mera narrativa. Permite partir de uma personagem real, numa época determinada e saltar para uma reflexão sobre a condição da mulher... Não, não só da mulher: do ser humano de qualquer sexo em busca de um nível superior de consciência. Em busca da felicidade”, afirma José Rubens Siqueira que completa: “É uma peça cheia de humor, mas profunda, compacta na busca de sentimentos e significados inconscientes, arquetípicos, sem deslizar para o psicológico”.

Com muita sensibilidade, diálogos fluídos e ironia, a peça retrata um encontro improvável, mas transformador entre duas mulheres de realidades totalmente diferentes que irão se conhecer além das aparências. “Não há julgamentosdas atitudes ou ideias. O objetivo é que o público se identifique com as personagens e tirem suas próprias conclusões.”, comenta Juliana Rosenthal K. que se inspira no fato real da vinda do casal mais famoso de filósofos do século XX para o Brasil para abrir o diálogo entre as diversas facetas de Simone de Beauvoir - o mito, a mulher, a amante, a professora – com a jovem admiradora e interessada estudante de Letras do Recife nos anos 60.

Além de resgatar um período de grande efervescência cultural no Brasil, O inferno sou eu resgata a memória desses importantes intelectuais franceses, ao discutir temas importantes e atemporais como os relacionamentos amorosos e o papel da mulher na sociedade. O resgate dessa época também se dará através do cenário de Isay Weinfeld e figurinos de Cássio Brasil. Iluminação de Guilherme Bonfanti. Desing gráfico de Gringo Cárdia.

Para viver Dorinha, foi realizado teste com atrizes e Paula Weinfeld ganhou o papel pelo talento de imprimir veracidade nos diálogos e enfrentamentos de sua jovem sonhadora com a astúcia, inteligência e cultura de uma das mais conceituadas filósofas de todos os tempos, interpretada por Marisa Orth, “por inteiro”, segundo José Rubens Siqueira.

Muito já foi dito e escrito sobre Simone de Beauvoir, e mesmo quase trinta anos após sua morte, as discussões sobre sua vida e obra continuam extremamente atuais.

BISBILHOTANDO O TEXTO

“DORINHA – Eu vi vocês na TV.
SIMONE – Quem não viu? Três horas de entrevista! Que raio de país capitalista é esse que abre três horas do espaço para se falar mal do capitalismo?”

“DORINHA – Eu vim trazer um chá pra senhora. É um chá que eu aprendi com minha avó. É bom pra mal-estar, pra enjôo, pra tirar olho gordo e tudo de ruim. (pausa) É de ervas.
SIMONE - Obrigada. (ela cheira o chá) Você é do candomblé?
DORINHA – Não, mas já freqüentei. Esse chá é da umbanda.
SIMONE – E você acredita nas duas?
DORINHA – Ah, Dona Simone, minha mãe é católica, mas eu gosto de todas que têm música. (pausa curta) Na verdade Deus tá em todo lugar, não é?
SIMONE – Aqui no Recife ainda não o vi.”

“SIMONE - O amor não tem o mesmo significado para o homem, Dorinha. Para ele é uma ocupação, enquanto que para a mulher, se não tomar cuidado, vira sua própria vida.”
Ficha Técnica


TEXTO: Juliana Rosenthal K.
DIREÇÃO: José Rubens Siqueira

ELENCO: Marisa Orth e Paula Weinfeld

ILUMINAÇÃO: Guilherme Bonfanti
CENÁRIOS: Isay Weinfeld
FIGURINOS: Cassio Brasil
DESIGN GRÁFICO: Gringo Cardia
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Marcella Guttmann

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Entrevista com Denise Del Vecchio nesta semana.


Teatro Renaissance (462 lugares)
Alameda Santos, 2233 - Cerqueira César

Central de vendas e informações: 2122.4241

Aceita todos os cartões de crédito. De segunda a domingo das 9h às 21h.
Bilheteria aberta de terça a domingo das 14 às 20h ou até o início do espetáculo.
Aceita: dinheiro, cartão de débito e cartão de crédito (visa e mastercard).

Sexta às 21h30, Sábado às 21h e Domingo às 19h.

Ingressos: Sextas e Domingos R$ 70 / Sábados R$ 80.

Duração: 90 minutos
Recomendação: 14 anos.

Reestreia 08 de janeiro.
Curta temporada: até 28 de fevereiro.

As pontes de Madison


Denise Del Vecchio e Marcos Caruso

em

AS PONTES DE MADISON
uma peça baseada no romance de Robert James Waller

Direção Regina Galdino

Com Luciene Adami e Paulo Coronato

Grande sucesso em sua primeira temporada, a emocionante história de amor entre Francesca e Robert, já vista por mais de 22 mil pessoas no Teatro Renaissance, retorna em 08 de Janeiro para curta temporada.

Escrita em 1992 por Robert James Waller, o best seller foi levado ao cinema por Clint Eastwood, que ao lado de Meryl Streep encantou espectadores do mundo todo em 1995.

A montagem brasileira, com direção de Regina Galdino, e adaptação de Alexandre Tenório baseia-se no romance de Robert James Waller para contar a história de Francesca, uma mulher casada que se envolve com Robert Kincaid, um fotógrafo da revista National Geographic que vai até o condado de Madison, em Iowa/EUA, registrar imagens das famosas pontes cobertas.

Em apenas quatro dias Robert e Francesca passam por uma avassaladora paixão e depois vivem um longo desencontro, preenchido por raro e intenso amor. A partir deste simples encontro suas vidas se modificarão para sempre.

A história é contada em flashbacks a partir da leitura dos diários de Francesca, que revela essa passagem de sua vida, encontrado por seus filhos (Carolyne, interpretada por Luciene Adami e Michael, interpretado Paulo Coronato) depois de sua morte.

As Pontes de Madison é um drama simples e tocante que discute profundos valores humanos pouco utilizados nos dias de hoje. Marco Lima criou o
cenário. Fábio Namatame assina os figurinos e visagismo. Ney Bonfante, é o responsável pela iluminação e Mario Manga compôs as músicas originais.

O Brasil é o primeiro país das Américas a realizar uma adaptação deste romance homônimo de Robert James Waller. Uma outra versão na Europa fez sucesso em Paris com Alain Delon no elenco.
Ficha Técnica


Autor: ROBERT JAMES WALLER
Tradução e Adaptação: ALEXANDRE TENÓRIO
Direção: REGINA GALDINO

Elenco:
MARCOS CARUSO como Robert Kincaid
DENISE DEL VECCHIO como Francesca Johnson
LUCIENE ADAMI como Caroline Johnson
PAULO CORONATO como Michael Johnson.

Cenário: MARCO LIMA
Figurinos e Visagismo: FÁBIO NAMATAME
Iluminação: NEY BONFANTE
Música Original: MARIO MANGA
Preparação Corporal: JOHANNES FREIBERG
Assistência de Direção: PAULO ROGÉRIO LOPES
Direção de Produção: CRISTINA SATO

Realização: CHARGE PRODUÇÕES ARTÍSTICAS

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Uso Fruto, Lucia Verissimo passou pelo Cine Cultura.


Lúcia Veríssimo e Raphael Viana




Quais caminhos a mente humana é capaz de percorrer para alcançar seus propósitos? Até onde esses caminhos são sadios ou ultrapassam as fronteiras da moralidade? Baseada nessas questões a atriz Lúcia Veríssimo escreveu seu primeiro texto para o teatro. O inusitado e intrigante encontro entre uma mulher de 50 anos e um homem com trinta e poucos num apartamento vazio de frente para o mar. Dois desconhecidos com um único objetivo, onde o vale tudo é pouco para alcançar seus desejos.

Estreia dia 20 de janeiro no Teatro FAAP:
Quartas e quintas feiras, às 21h

USUFRUTO, de Lúcia Veríssimo, é um espetáculo de ideias, construído com uma dramaturgia cuidadosamente burilada e uma encenação, assinada por José Possi Neto, que nos remete a intimidade desse encontro inesperado entre um homem e uma mulher desconhecidos. A peça, numa empreitada inovadora, fará temporada às quartas e quintas-feiras em São Paulo, na FAAP, e turnê aos finais de semana pelo Brasil.

O texto de Lúcia Veríssimo é um tributo a Roland Barthes, um dos mais importantes filósofos do nosso tempo, que definia seu próprio trabalho como o “saber com sabor”. E é desta forma que é conduzido USUFRUTO. “Uma bela apresentação de ideias nas quais conceitos antigos são demolidos, novas propostas são lançadas, a vida e o amor são questionados, mas tudo é dito com sabor, com humor, com malícia e com sutileza”, afirma Lúcia.
Os diálogos são ágeis e sarcásticos, recheados de humor e malícia, onde são discutidas questões eternas sob uma ótica contemporânea: amor, casamento, paixão e ética.

Com formação jornalística, Lúcia Veríssimo sempre escreveu, mas não pensava em dramaturgia até 2005 quando, durante as tomadas de América, surge USUFRUTO: “Criei a peça nos intervalos das gravações da novela, incentivada por Rafael Calomeni e Gabriela Duarte. USUFRUTO nasceu envolto na poeira das madrugadas, no caminhão das externas”, conta Lúcia.

A história se passa num apartamento à venda. Nele se encontram uma mulher de cinqüenta anos: bela, sedutora, atraente, debochada, sem limites e um jovem e promissor arquiteto: entusiasta, sonhador, apaixonado e muito conservador. Eles disputam a compra do imóvel, e ela propõe um jogo, um jogo da verdade, no qual o perdedor desiste. Essa relação reúne a universalidade à particularidade, especialmente à particularidade brasileira, onde essas duas pessoas, uma mulher misteriosa e decidida a conseguir o que quer e um jovem homem que tenta realizar um sonho jogando sinceramente.
Sem jamais perder a leveza a peça é um dueto e um duelo, e seu final é surpreendente.

Lucia Veríssimo acredita que “assim como o personagem do jovem homem, o público também deixará o teatro cheio de dúvidas e reflexões”. Essa afirmação se dá justamente pelo final inesperado e bem arquitetado. “O jogo já havia sido programado ou aconteceu durante o encontro? Esta mulher é inescrupulosa mesmo ou agiu levada pela situação? Os fins justificam os meios? Quem de fato perdeu o jogo?”, pergunta a minuciosa autora.

José Possi Neto em sua meticulosa direção apresenta o texto de uma forma envolvente, extraindo o melhor dos atores, criando um espetáculo sedutor e instigante, levando o suspense até a última cena.
Lúcia Veríssimo, atriz conhecida por seu talento e popularidade traz em seu perfil pessoal a adequação ao personagem, e o fato de ser a autora do texto, dá a certeza de que cada palavra, cada inflexão e cada intenção serão transmitidos ao público com perfeição. Seu personagem sedutor domina a cena, manipula as emoções do outro, usa sem pena sua inteligência e experiência, guardando até o final seu dolorido segredo e colocando em dúvida os conceitos que contundentemente defende no decorrer de toda a peça.
Raphael Viana cria um personagem sutil e sensível, mas ao mesmo tempo cheio de energia e certezas, que sofre, se rebela e se fragiliza ao serem questionados todos os seus ideais. Ele termina o jogo crivado de dúvidas, mas provavelmente estas irão ajudá-lo a construir uma vida mais verdadeira. “O dia vindouro ensina ao dia precedente” (Píndaro). Ele perde ou ganha o jogo proposto e também um sonho? Ele sai de cena sem perceber de imediato a extensão do jogo no qual entrou.
O cenário é de Jean Pierre Tortil, cuja criação reuniu elegância e sofisticação à funcionalidade e fluência da cena. Os figurinos e luz são complementados pelas caracterizações de Marlene Moura.

USUFRUTO é um espetáculo que reúne um bom texto nacional, um diretor respeitado, atores conhecidos, cenário, iluminação e figurinos de extrema qualidade. É um espetáculo de excelência que se propõe a aliar o entretenimento à reflexão.
USUFRUTO estará em cartaz, simultaneamente, em São Paulo durante a semana e finais de semana por cidades e capitais do Brasil. Sempre com o mesmo elenco e equipe técnica. Para que isso fosse possível, dois cenários foram construídos para atender inusitada empreitada.


Por José Possi Neto
Quando Lucia esteve em minha casa e, juntos, fizemos a primeira leitura de USUFRUTO, me senti imediatamente atraído a materializar esse texto.
Ela não o considerava pronto ainda, ou melhor, ela ainda considerava a hipótese de não assumi-lo, como atriz e como autora.
Meu entusiasmo espontâneo e imediato insuflaram-lhe coragem.
Ela revisou algumas passagens, fizemos alguns cortes, e consideramos finalmente o texto pronto para usufruí-lo.
O que de fato me atraiu em USUFRUTO?
Um argumento intrigante com desfecho inusitado.
Um diálogo ágil e inteligente que confronta valores, conceitos e preconceitos, de duas gerações.
USUFRUTO expõe à luz o conflito impiedoso entre o AMOR e o DESEJO e as implicações morais e sociais desse conflito.
Dois personagens contemporâneos. Um homem, uma mulher.
Um encontro gratuito. Casual.
Uma coincidência? Coincidências não existem.... é o Destino.
Como na Grécia Antiga Lúcia (a autora) usa o vinho como desinibidor e condutor da discussão.
Vai rolar o que? Filosofia ou Prazeres (sacanagem).
Vai rolar um embate instigante entre dois seres com posições claramente opostas sobre o amor, o sexo, o casamento, a fidelidade, a verdade das emoções e dos sentimentos nas relações a dois.
Vai rolar Filosofia do Prazer. Vai rolar também o exercício do Prazer.
Como encenador o que mais me estimula é reger essa partitura de emoções sobre a qual Lúcia Veríssimo e Raphael Viana devem vibrar.
Conduzir suas interpretações, as nuances desse encontro, construir essa música feita de Razão e Sentimentos tem sido meu melhor brinquedo.
Obrigado pelo presente Amiga Lúcia.
Ficha Técnica



Texto: LÚCIA VERÍSSIMO
Elenco: LÚCIA VERÍSSIMO e RAPHAEL VIANA
Direção: JOSÉ POSSI NETO
Assistente de direção: EDUARDO DE SANTHIAGO
Produção Musical: TUNICA TEIXEIRA
Cenógrafo: JEAN-PIERRE TORTIL
Iluminação: JOSÉ POSSI NETO
Criação Visual dos Personagens: MARLENE MOURA
Figurino: REBECCA BEOLCHI
Programação Visual: HALLAN MOULLIN
Direção de Produção: LÚCIA VERÍSSIMO

Esta semana vc vai assistir no Cine Cultura ..



Wilson de Santos
é
A NOVIÇA MAIS REBELDE


FREIRA ABANDONADA EM TEATRO
PROMETE MATAR A PLATEIA DE RIR

Reestreia dia 09 de janeiro no Teatro Raul Cortez

NOVOS HORÁRIOS: Sábados às 19h e Domingos às 17h

Uma freira, um passado nada católico, um show improvisado e uma plateia ávida por diversão. Essa combinação inusitada é exatamente a base da comédia A Noviça Mais Rebelde, que o ator Wilson de Santos estréia no próximo dia 13 de novembro no Teatro Raul Cortez. A peça conta com supervisão artística do ator Marcelo Médici e traz de volta aos palcos brasileiros a Irmã Maria José, uma das personagens mais cativantes do musical Noviças Rebeldes, grande sucesso Off-Broadway de Dan Goggin.

No espetáculo, Wilson de Santos volta a interpretar a Irmã Maria José, que convence a Madre Superiora da Irmandade de Salut Marie a deixá-la fazer um show beneficente, seu único sonho não realizado desde que se tornou freira. A Madre aceita a proposta desde que o espetáculo conte com sua supervisão e uma “bênção” especial antes da apresentação. Com o atraso da Madre, Maria José se vê obrigada a aprontar o auditório e receber o público, improvisando jogos interativos e números musicais – todos retirados de lembranças hilárias do seu passado agitado antes de se converter à Igreja. De quebra, realiza o sonho de estrelar seu próprio musical, uma chance que havia sido negada com veemência pela Madre Superiora até então.

Tendo como premissa a improvisação e a interação com o público, o espetáculo leva para o palco música, dança e interpretação. Em pouco mais de uma hora, a plateia participa de um “bingo santo”, de um jogo de roleta (onde o prêmio máximo é dado a quem conseguir chegar a Jesus Luz) e até de um número de cabaré. Em meio às apresentações, Irmã Maria José ainda encontra espaço para falar sobre sua vida, alternando poesia e humor ao narrar a transformação de uma “garota da vida” em uma freira católica.

OFF-BROADWAY – A Irmã Maria José é uma das cinco personagens do premiado musical Nunsense, montagem Off-Broadway escrita e dirigida pelo norte-americano Dan Goggin no início da década de 1980. No Brasil, a peça ganhou duas versões de enorme sucesso pelas mãos do diretor Wolf Maya. Intitulada Noviças Rebeldes, a primeira versão estreou no Rio de Janeiro também na década de 1980 com um elenco que trazia atrizes-cantoras. Em 1995, a Cia. Baiana de Patifaria levou para o palco, por sugestão do próprio Wilson de Santos, a primeira versão mundial feita com um elenco masculino, iniciativa que foi repetida em diversos países.

Noviças Rebeldes contava a história de cinco freiras da Irmandade de Salut Marie que, após um trágico acidente ocorrido no convento, causado pela ingestão de uma sopa feita com produto de validade vencida, se vêem obrigadas a produzir um show beneficente para enterrar as ultimas irmãzinhas mortas – até então armazenadas em um freezer. A peça mostrava o espetáculo ensaiado pela Irmandade, com todos os defeitos, confusões, surpresas e graça que uma situação como essa pode gerar.

EMPATIA – O ator Wilson de Santos integrou o elenco da versão baiana e logo ganhou destaque pela sua interpretação hilária da freira substituta. “A Irmã Maria José tinha uma empatia direta com o público porque era a personagem renegada pela Madre, a que não tinha talento”, lembra o ator, explicando que, desde o início, a plateia se tornava cúmplice das artimanhas criadas por Maria José para conquistar um papel de destaque no show beneficente. “Com esse novo espetáculo, ela vê seu sonho ganhar vida e o público, mais uma vez, tem a chance de experimentar o gosto da vitória conquistada pela subversão”, brinca.

A ideia de fazer um espetáculo solo com a Irmã Maria José surgiu do próprio Wilson, a partir de comentários de amigos e do público sobre a força da personagem na montagem anterior. Esse conceito foi dividido então com o autor de Nunsense, Dan Goggin, que gostou tanto da ideia e estreou em julho deste ano, em Connecticut (EUA), a peça “Sister Robert's Anne in Cabaret Class”, sua versão do solo de Maria José. A Noviça Mais Rebelde parte do mesmo princípio, mas é uma versão totalmente inspirada no sonho de Wilson. “Parti de situações criadas em diversas peças de Dan e de cenas da montagem brasileira de Noviças Rebeldes; acho o resultado mais coerente para o nosso público”, defende o ator.

A Noviça Mais Rebelde é o primeiro espetáculo solo de Wilson, embora o ator não considere a montagem um monólogo. “A plateia é praticamente o segundo ator em cena, já que eu preciso da reação dela para quase todas as falas”, avisa. Mas a peça está longe de constranger ou obrigar o público a fazer o que não quer. Wilson explica que o clima de conversa informal, aliado a números virtuosos inspirados em espetáculos musicais, tem tudo para conquistar a cumplicidade da plateia mais uma vez. E brinca: “Quem não tem curiosidade de saber o que uma freira faz quando está de folga? Elas não ficam rezando, rezando o tempo todo não...!”


CURRÍCULO – Wilson de Santos iniciou suas atividades em artes cênicas na cidade de Santos e, neste ano, comemora 25 anos de carreira. No teatro, foi membro da Cia. Baiana de Patifaria, atuando em sucessos como A Bofetada e Noviças Rebeldes. Atuou ainda em peças como Viva o Demiurgo (direção de Bibi Ferreira), A Diabólica Moll Flanders (com Ary Fontoura e direção de Charles Möeller) e o musical Vitor ou Vitória (com Marília Pêra e direção de Jorge Takla). Seus últimos trabalhos nos palcos são Sua Excelência o Candidato (com Reynaldo Gianecchini e direção de Alexandre Reinecke) e Advocacia (com Heloísa Pérrissé e direção de João Fonseca). Na TV, viveu o camareiro do night club Copacabana em Kubanacan (novela de Carlos Lombardi com direção de Wolf Maya) e o personagem “Jojo”, em Duas Caras (novela de Agnaldo Silva com direção de Wolf Maya).
Ficha Técnica

A NOVIÇA MAIS REBELDE
Com Wilson de Santos

Supervisão artística: Marcelo Médici
Trilha produzida por: Ivan Huol (músicas do original Nunsense) e Cia da Vozes (músicas imitações)
Tradução de músicas: Flávio Marinho e Wolf Maya (original Nunsense)
Iluminação: Kadu Moratori
Figurino: Celso Werner
Cenário: Grafite – Eduardo Kobra
Cenotécnico: Estevão Nascimento
Fotos: João Caldas
Arte Gráfica: Vicente Queiroz
Produção: Leonardo Leal
Realização: Teatro do Riso