
Lúcia Veríssimo e Raphael Viana
Quais caminhos a mente humana é capaz de percorrer para alcançar seus propósitos? Até onde esses caminhos são sadios ou ultrapassam as fronteiras da moralidade? Baseada nessas questões a atriz Lúcia Veríssimo escreveu seu primeiro texto para o teatro. O inusitado e intrigante encontro entre uma mulher de 50 anos e um homem com trinta e poucos num apartamento vazio de frente para o mar. Dois desconhecidos com um único objetivo, onde o vale tudo é pouco para alcançar seus desejos.
Estreia dia 20 de janeiro no Teatro FAAP:
Quartas e quintas feiras, às 21h
USUFRUTO, de Lúcia Veríssimo, é um espetáculo de ideias, construído com uma dramaturgia cuidadosamente burilada e uma encenação, assinada por José Possi Neto, que nos remete a intimidade desse encontro inesperado entre um homem e uma mulher desconhecidos. A peça, numa empreitada inovadora, fará temporada às quartas e quintas-feiras em São Paulo, na FAAP, e turnê aos finais de semana pelo Brasil.
O texto de Lúcia Veríssimo é um tributo a Roland Barthes, um dos mais importantes filósofos do nosso tempo, que definia seu próprio trabalho como o “saber com sabor”. E é desta forma que é conduzido USUFRUTO. “Uma bela apresentação de ideias nas quais conceitos antigos são demolidos, novas propostas são lançadas, a vida e o amor são questionados, mas tudo é dito com sabor, com humor, com malícia e com sutileza”, afirma Lúcia.
Os diálogos são ágeis e sarcásticos, recheados de humor e malícia, onde são discutidas questões eternas sob uma ótica contemporânea: amor, casamento, paixão e ética.
Com formação jornalística, Lúcia Veríssimo sempre escreveu, mas não pensava em dramaturgia até 2005 quando, durante as tomadas de América, surge USUFRUTO: “Criei a peça nos intervalos das gravações da novela, incentivada por Rafael Calomeni e Gabriela Duarte. USUFRUTO nasceu envolto na poeira das madrugadas, no caminhão das externas”, conta Lúcia.
A história se passa num apartamento à venda. Nele se encontram uma mulher de cinqüenta anos: bela, sedutora, atraente, debochada, sem limites e um jovem e promissor arquiteto: entusiasta, sonhador, apaixonado e muito conservador. Eles disputam a compra do imóvel, e ela propõe um jogo, um jogo da verdade, no qual o perdedor desiste. Essa relação reúne a universalidade à particularidade, especialmente à particularidade brasileira, onde essas duas pessoas, uma mulher misteriosa e decidida a conseguir o que quer e um jovem homem que tenta realizar um sonho jogando sinceramente.
Sem jamais perder a leveza a peça é um dueto e um duelo, e seu final é surpreendente.
Lucia Veríssimo acredita que “assim como o personagem do jovem homem, o público também deixará o teatro cheio de dúvidas e reflexões”. Essa afirmação se dá justamente pelo final inesperado e bem arquitetado. “O jogo já havia sido programado ou aconteceu durante o encontro? Esta mulher é inescrupulosa mesmo ou agiu levada pela situação? Os fins justificam os meios? Quem de fato perdeu o jogo?”, pergunta a minuciosa autora.
José Possi Neto em sua meticulosa direção apresenta o texto de uma forma envolvente, extraindo o melhor dos atores, criando um espetáculo sedutor e instigante, levando o suspense até a última cena.
Lúcia Veríssimo, atriz conhecida por seu talento e popularidade traz em seu perfil pessoal a adequação ao personagem, e o fato de ser a autora do texto, dá a certeza de que cada palavra, cada inflexão e cada intenção serão transmitidos ao público com perfeição. Seu personagem sedutor domina a cena, manipula as emoções do outro, usa sem pena sua inteligência e experiência, guardando até o final seu dolorido segredo e colocando em dúvida os conceitos que contundentemente defende no decorrer de toda a peça.
Raphael Viana cria um personagem sutil e sensível, mas ao mesmo tempo cheio de energia e certezas, que sofre, se rebela e se fragiliza ao serem questionados todos os seus ideais. Ele termina o jogo crivado de dúvidas, mas provavelmente estas irão ajudá-lo a construir uma vida mais verdadeira. “O dia vindouro ensina ao dia precedente” (Píndaro). Ele perde ou ganha o jogo proposto e também um sonho? Ele sai de cena sem perceber de imediato a extensão do jogo no qual entrou.
O cenário é de Jean Pierre Tortil, cuja criação reuniu elegância e sofisticação à funcionalidade e fluência da cena. Os figurinos e luz são complementados pelas caracterizações de Marlene Moura.
USUFRUTO é um espetáculo que reúne um bom texto nacional, um diretor respeitado, atores conhecidos, cenário, iluminação e figurinos de extrema qualidade. É um espetáculo de excelência que se propõe a aliar o entretenimento à reflexão.
USUFRUTO estará em cartaz, simultaneamente, em São Paulo durante a semana e finais de semana por cidades e capitais do Brasil. Sempre com o mesmo elenco e equipe técnica. Para que isso fosse possível, dois cenários foram construídos para atender inusitada empreitada.
Por José Possi Neto
Quando Lucia esteve em minha casa e, juntos, fizemos a primeira leitura de USUFRUTO, me senti imediatamente atraído a materializar esse texto.
Ela não o considerava pronto ainda, ou melhor, ela ainda considerava a hipótese de não assumi-lo, como atriz e como autora.
Meu entusiasmo espontâneo e imediato insuflaram-lhe coragem.
Ela revisou algumas passagens, fizemos alguns cortes, e consideramos finalmente o texto pronto para usufruí-lo.
O que de fato me atraiu em USUFRUTO?
Um argumento intrigante com desfecho inusitado.
Um diálogo ágil e inteligente que confronta valores, conceitos e preconceitos, de duas gerações.
USUFRUTO expõe à luz o conflito impiedoso entre o AMOR e o DESEJO e as implicações morais e sociais desse conflito.
Dois personagens contemporâneos. Um homem, uma mulher.
Um encontro gratuito. Casual.
Uma coincidência? Coincidências não existem.... é o Destino.
Como na Grécia Antiga Lúcia (a autora) usa o vinho como desinibidor e condutor da discussão.
Vai rolar o que? Filosofia ou Prazeres (sacanagem).
Vai rolar um embate instigante entre dois seres com posições claramente opostas sobre o amor, o sexo, o casamento, a fidelidade, a verdade das emoções e dos sentimentos nas relações a dois.
Vai rolar Filosofia do Prazer. Vai rolar também o exercício do Prazer.
Como encenador o que mais me estimula é reger essa partitura de emoções sobre a qual Lúcia Veríssimo e Raphael Viana devem vibrar.
Conduzir suas interpretações, as nuances desse encontro, construir essa música feita de Razão e Sentimentos tem sido meu melhor brinquedo.
Obrigado pelo presente Amiga Lúcia.
Ficha Técnica
Texto: LÚCIA VERÍSSIMO
Elenco: LÚCIA VERÍSSIMO e RAPHAEL VIANA
Direção: JOSÉ POSSI NETO
Assistente de direção: EDUARDO DE SANTHIAGO
Produção Musical: TUNICA TEIXEIRA
Cenógrafo: JEAN-PIERRE TORTIL
Iluminação: JOSÉ POSSI NETO
Criação Visual dos Personagens: MARLENE MOURA
Figurino: REBECCA BEOLCHI
Programação Visual: HALLAN MOULLIN
Direção de Produção: LÚCIA VERÍSSIMO