quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Olha quem vai estar no Cine Cultura na proxima semana ....

Peça Olhe para trás com raiva


OLHE PRA TRÁS COM RAIVA

de
John Osborne
Direção Ulysses Cruz
Com Sérgio Abreu, Karen Coelho, Thiago Mendonça e Maria Manoella
Estreia dia 11 de junho
No Teatro Vivo
Do original Look Back in Anger, texto do dramaturgo, roteirista e ator inglês John Osborne, a peça Olhe para Trás com Raiva estreia sexta-feira, dia 11 de junho, às 21h30, no Teatro Vivo. A direção da montagem é assinada pelo premiado diretorUlysses Cruz.
Escrita em 17 dias, Look Back in Anger, transformou-se em Olhe para Trás com Raiva a partir da fiel tradução de Antonio Guimarães e Angela Ramalho e da cuidadosa e eficiente adaptação de Marcos Daud. Nesta montagem, o elenco é formado pelos atores Sérgio Abreu, Karen Coelho, Thiago Mendonça e Maria Manoella.
A peça é em grande parte autobiográfica, baseada em momentos da vida em comum de Osborne (1929-1995), com sua esposa Pamela Lane. Encenada em 1956 pelaEnglish Stage Company, no Royal Court Theatre, ela representa a renovação do teatro inglês na década de 1950, assinalando a ruptura de repertórios e montagens convencionais do teatro londrino da época.
Neste drama, oIt was submitted to agents all over London and returned with great rapidity. ator Sérgio Abreu interpreta Jimmy Porter. As atitudes do protagonista traduzem a rebeldia, desencadeada por uma latente raiva, peculiar da geração pós-guerra na Inglaterra, momentos em que jovens dotados de talento e cheios de projetos têm frustradas suas possibilidades artísticas e sociais.
Na peça, a revolta contra o conservadorismo de uma sociedade altamente hierarquizada, com desigualdades sociais, intolerância, preconceitos e dissimulações são discutidas por meio do agressivo e brilhante Jimmy.
Para Ulysses, ele é uma espécie de Hamlet. “Igual ao príncipe da Dinamarca, ele sabe que deve agir, mas nada faz. A sua compreensão do mundo é um convite para a nossa imediata identificação com ele, que nos atrai por ter pensamentos de qualidade e prazerosos ao mesmo tempo”.
Mas como se trata de uma obra clássica, o diretor completa: “Todos os personagens são apaixonantes. Eles nos dizem algo importante, nos estimulam a pensar, causam perplexidade e renovam nossa vontade de ir ao teatro”.
Jimmy convive com duas jovens pertencentes a famílias da alta burguesia: sua esposa Allison, vivida pela atriz Karen Coelho, e Helena Charles (Maria Manoella), que se torna sua amante ao longo da história. As duas são amigas e confidentes, fato que engrossa os pontos de conflito, no mínimo instigantes, da história.
As relações entre os sexos são retratadas com uma força transgressora e num tom pouco comuns até a metade do século XX no teatro britânico. O plano de expressão da peça completa-se com o personagem Cliff, vivido pelo ator Thiago Mendonça.
Cliff é um jovem rapaz pertencente à classe operária inglesa. Um sujeito comum, desses que se pode encontrar facilmente nos famosos pubs ingleses. Amigo de Jimmy, ele é leal, amoroso e de bom caráter. Mora em um minúsculo quarto embaixo do apartamento de Jimmy e Allison, propiciando visitas frequentes ao casal.
Ao contrário do espírito inquieto de Jimmy, Cliff não quer transformar o mundo ao seu redor, tampouco compreende o que ideologicamente isso significa. Suas ambições são singelas como a sua própria personalidade. Com um temperamento bem-humorado, ele ajuda a acalmar os ânimos fervorosos de Jimmy, de quem é plateia fiel. Embora Cliff seja fascinado por Allison, o respeito que ele nutre pelo amigo não o deixa declarar o sincero e terno amor que sente por ela.
Mergulhados em um poço sem fim de contradições e buscas, sem conseguirem respostas consistentes para seus conflitos, os personagens levam ao palco questões sérias. “Mas como são jovens há humor, um humor desesperado. Eles são dramáticos, porém a aventura humana é cheia de ironias, de falsas percepções, mentiras sinceras dentro de situações dramáticas”, pontua Ulysses.
A inteligência dos personagens, o jogo cênico estruturado com perfeição, a verve do autor e, evidentemente, o fato de ser um clássico do teatro contemporâneo, prometem levar boas reflexões e envolvimento da plateia. Comportamentos e sensações que justificam as delícias da sexta arte.

Peça Novelo


Estreia no Teatro Sérgio Cardoso

NOVELO

Texto inédito de Nanna de Castro
Direção de Zé Henrique de Paula
Com
Alexandre Freitas, Fábio Cadôr, Elvis Shelton, Flavio Baiocchi e Flavio Barollo.
Para a peça Novelo, homem é tudo diferente, mas há séculos ouvimos a frase “Os homens são todos iguais”. Ao discutir o assunto, é possível criar um novelo de opiniões. E é esse novelo que a montagem pretende desfiar.
Abordar o universo masculino nas artes cênicas é sempre muito instigante. Pensando assim, o grupo composto por cinco atores: Alexandre Freitas, Fábio Cadôr, Elvis Shelton, Flavio Baiocchi e Flavio Barollo resolveram falar desse mundo no teatro. Com o desejo de cumprir a missão, convidaram uma mulher para escrever sobre ele. Assim, nasceu Novelo, montagem contemplada pelo Edital ProAc 2009 da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.
“Quando recebi o convite, pensei logo: Não seria melhor um homem para desempenhar essa tarefa? Não teria eu olhos preconceituosos em relação ao mundo masculino? Mas os atores não estavam preocupados com essas questões. Então, resolvi abraçar o desafio e fazer este mergulho no masculino em mim”, conta a autora do texto Nanna de Castro, que se dedicou durante um ano para a realização da empreitada.
Conforme ela, o estilo da narrativa inédita é um desafio também à direção. Os planos de espaço-tempo cruzam-se e os atores saltam entre fatos acontecidos no passado e no presente. “É um exercício de linguagem, um experimento, em que eu uso um pouco do formato do cinema. Honestamente, sei que criei uma provocação, tanto à direção quanto ao elenco e estou curiosíssima para ver a estreia, a reação do público e tudo que diz respeito a esse delicioso ambiente teatral”.
O diretor Zé Henrique de Paula concorda com Nanna, “cada fase dos ensaios, as exigências foram diferentes. No início, o trabalho de mesa consumiu muito tempo, para que nós "desmontássemos" a peça e analisássemos cada parte separadamente. Depois, houve muito trabalho de pesquisa, para que as individualidades fossem criadas pelos atores. No último período de ensaios, as exigências têm sido de natureza emocional, uma vez que o mergulho de cada ator na sua história só tem se aprofundado. A melhor maneira de responder a todos esses processos é ter flexibilidade e dar muita, mas muita liberdade para os atores durante os ensaios”.
A peça aprofunda ao contar a história de cinco irmãos (Maurício, João Pedro, Zeca, Mauro e Cláudio), que se reencontram na sala de espera de um hospital público, após receberem a notícia de que um homem, que pode ser o pai que os abandonou por 20 anos, está internado na UTI.
Este reencontro insólito, depois de tanto tempo, emerge lembranças e sentimentos intensos, desencadeando situações patéticas, questionamentos e discussões. Essas abordagens culminam em resgatar sentimentos dolorosos, envolvendo familiares, os quais muitas vezes apresentam dificuldades para serem tratados com clareza.
Para Zé Henrique (indicado ao Prêmio Shell 2009), o que mais lhe atrai no texto é a possibilidade de fazer um recorte do ‘masculino’. “Cinco homens diferentes, cinco homens possíveis, cinco homens reais. E, por meio deles, tentar entender melhor o imaginário do gênero como um todo”.
Os diálogos são permeados por momentos de humor e poesia, revelando a essência masculina, sua singularidade e complexidades, muitas vezes roteirizadas de forma caricatural, nas artes de forma geral.
É uma peça profunda, comovente e por vezes divertida. Ela apresenta uma visão, envolvendo diversas dimensões do homem contemporâneo, inserindo suas alegrias, conflitos, ambições, coragem, mágoas, medo, frustrações, sonhos e outros estados bastante conhecidos pela humanidade, mesmo sendo de maneira inconsciente.
Além disso, a montagem prima pelo zelo, justificando os seus três anos para a sua concretização. A começar pelo figurino, cuja assinatura leva a marca Mário Queiroz, autor do livro “O Heroi Desmascarado – A imagem do homem na moda” e um dos estilistas, consultor e pesquisador acadêmico mais respeitados da Fashion Week. A locução em off é da atriz Clara Carvalho (Grupo Tapa) e a trilha sonora do espetáculo foi composta originalmente por Fernanda Maia.

Peça Gorda


O grande mérito da peça Gorda, que estava em cartaz no teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, é enfatizar a necessidade do respeito ao outro sem descambar para o enfadonho discurso do politicamente correto.
A montagem dirigida pelo argentino Daniel Veronese, conta a história de Helena, uma mulher com 30 quilos acima do peso ideal interpretada por uma Fabiana Karla despida da fórmula medíocre de humor do Zorra Total (Globo).

Num encontro casual em um fast food, ela se apaixona por Tony, um executivo bonitão interpretado por Michel Bercovitch. Logo, o casal descobre afinidades que deixam para escanteio a diferença de peso entre eles.

Contudo, Tony demonstra ter vergonha de assumir a nova namorada, sobretudo diante dos preconceituosos colegas de trabalho. Na pele do desagradável amigo Caco, Mouhamed Harfouch tem o mérito de fazer o público sentir asco a cada frase dita. Ana Paula Grande – que substituiu Flávia Rubim no dia em que o R7 assistiu ao espetáculo – cumpre bem o papel de conquistar a antipatia do público por sua presunçosa Joana, ex de Tony.

Mas o grande destaque fica com Bercovitch. O ator consegue com maestria interpretar um homem demasiadamente fraco e incapaz de assumir seus desejos por conta da opinião alheia. O texto do dramaturgo norte-americano Neil Labute impressiona por discutir sem pieguice um tema tão delicado quanto o preconceito – que, na peça, é contra os gordos, mas que, como o próprio autor diz no texto do programa, pode ser contra negros, judeus, gays, etc.
A plateia, que chega a rir dos primeiros deboches proferidos contra Helena, vai, ao longo da montagem, se constrangendo de tal comportamento, até chegar ao silêncio com o surpreendente final.

Texto Jornal O dia